terça-feira, 30 de junho de 2015

NAVE # 14

Este é o Periódico Nave,
e esta é a Cena Artêsta!
Sejam bem-vindos ao imaginário...



A pessoa artêsta é aquela que mergulha nas ondas do imaginário. O imaginário é um oceano infinito, dentro de algo eternamente finito – a forma. Pode-se dizer que a artêsta é uma gota, e seu imaginário é o oceano. A gota se derrama no oceano porque esse é o seu anseio essencial. Num oceano infinito existem riquezas infinitas. O trabalho da artêsta é extrair as riquezas e lapidá-las em obras de arte. Assim, a artêsta é um tipo de ponte entre a consciência e o inconsciente.” (A Artêsta e a Escola de Artêstas)



Rádio Chanel

36º PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL.
10º Capítulo - VII Parte da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Idalia Morejón Arnaiz.
Narração: Cléia Plácido.
Trilha Sonora: Pantera
Ida Sonora: Ida 2 da 1ª Playlist de Ida Sonora (Tom Barão e Pantera)
Descrição da Ida Sonora por Tom Barão.
Trechos da Festa Junina na Comunidade da Carlota Marchísio.
Divulgação: Ateliê 3Marias, Periódico#Nave.
Produção: Cia ID´Artê.

37º PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL.
11º Capítulo - I Parte da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Ridarco.
Trilha Sonora: Pantera.
Ida Sonora: Ida 3 da 1ª Playlist de Ida Sonora(Tom Barão e Pantera.
Descrição das Idas Sonoras por Pantera e Tom Barão.
Trechos da festa Junina na Comunidade da Carlota Marchísio.
Divulgação: Periódico#Nave e Ateliê 3Marias.
Produção: Cia ID´Artê

38º PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL
11º Capítulo - II Parte da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Ridarco.
Trilha Sonora: Pantera.
Ida Sonora: Ida 1 da 1ª Playlist de Ida Sonora (Tom Barão e Pantera)
Divulgação: Ateliê 3Marias e Periódico#Nave.
Conversa sobre a Ida Sonora com Tom Barão e Pantera.
Trechos da Festa Junina e entrevista com Eva da Quadrilha "Sonho Azul".
Produção: Cia ID´Artê.

39º PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL
11º Capítulo - III Parte da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Ridarco.
Trilha Sonora: Pantera.
Ida Sonora: Samba 1 (Alince e Pantera).
Divulgação: Frutos de Escavação na 5ª Vielada Cultural - Jazz Festival, Periódico#Nave e Ateliê 3Marias.
Produção: Cia ID´Artê.


Dance Escondida 
# 8 Junior Littlecar



Ele é da Cidade Tiradentes. Cantor, MC, compositor, "freestayleiro" e poeta. Skatista desde os anos 90, é figura conhecidíssima na cena Sound System de SP e de outras partes do Brasil.
Tem um talento incrível e é um capricorniano que sabe o que quer!
Está no processo de gravação do seu segundo álbum, chamado "Again", que traz várias parcerias com artistas do Reggae DUB e da MPB.
Boa dança pra você!

A cena Sound System vem crescendo de forma notável em SP.
Como dizem por aí: todo fim de semana tem sound!
E se você curte DUB, free style, dance hall, se não conhece, vai curtir conhecer esse cara:
Juninho Littlecar
Um artista independente que vem construindo uma carreira respeitável na cena "não tão underground assim" do Sound System.
Se liga no som:




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Ficha Técnica
Diretor-Geral: Javier Morejón

domingo, 28 de junho de 2015

NAVE # 13

Este é o Periódico Nave,
e esta é a Cena Artêsta!
Sejam bem-vindos ao imaginário...



A pessoa artêsta é aquela que mergulha nas ondas do imaginário. O imaginário é um oceano infinito, dentro de algo eternamente finito – a forma. Pode-se dizer que a artêsta é uma gota, e seu imaginário é o oceano. A gota se derrama no oceano porque esse é o seu anseio essencial. Num oceano infinito existem riquezas infinitas. O trabalho da artêsta é extrair as riquezas e lapidá-las em obras de arte. Assim, a artêsta é um tipo de ponte entre a consciência e o inconsciente.” (A Artêsta e a Escola de Artêstas)



Rádio Chanel

31º PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL.
10º Capítulo - II Parte da Novela de de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Ridarco.
Trilha Sonora: Pantera.
Ida Sonora: trilha do Vídeo-Dança - Cenas de Ridarco e Sátiros (Pantera).
Divulgação: Periódico#Nave, Ateliê 3Marias, Festa Junina na Vila Joaniza, Festa de Abertura das 3 Idas da Cena Artêsta, O Autor na Praça Celebra os 88 anos do jornalista Luiz Ernesto Kawall e faz uma homenagem à Carlito Maia - um grande homem da comunicação.
Produção: Neopardas Cia de Artes

32º PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL
10º Capítulo - III Parte da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Ridarco.
Trilha Sonora: Pantera
Experiência de Dimensão Contextual na Casa Aimberê.
Divulgação: Grupo de Capoeira Angola Omoayê, Ateliê 3Marias, Periódico#Nave.
Produção: Cia Idartê.

33º PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL.
10º Capítulo - IV Parte da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Douglas Mam e Ridarco.
Trilha Sonora: Pantera.
Ida Sonora: Da 1ª Playlist de Ida Sonora; Terremoto / Pouso e Decolagem(Pantera
Divulgação: Ateliê 3Marias, Periódico#Nave, Festa Junina na Vila Joaniza - Rua Carlota Marchísio.

34º PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL.
10º Capítulo - V Parte da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Idalia Morejón Arnaiz.
Trilha Sonora: Pantera.
Ida Sonora: Esteria(Pantera), Ida 2(Tom Barão e Pantera) da 1ª Playlist de Ida Sonora.
Divulgação: Grupo de Capoeira Angola Omoayê, Ateliê 3Marias, Periódico#Nave.
Produção: Cia ID´Artê

35º PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL.
10 Capítulo - VI Parte da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Idalia Morejón Arnaiz.
Narração: Cléia Plácido.
Trilha Sonora: Pantera.
Ida Sonora: Aquática (Pantera), Ida 3 (Tom Barão e Pantera) da 1ª Playlist de Ida Sonora.
Divulgação: Festa Junina na Vila Joaniza - Rua Carlota Marchísio, Ateliê 3Marias e Periódico#Nave.
Produção: Cia ID´Artê.




Dance Escondida
# 7 Maria do Rosário Silveira Porto



Maria do Rosário SIlveira Porto graduou-se em Letras pela Universidade de Sâo Paulo em 1975. Em seguida foi para a Faculdade de Educação onde se formou em Pedagogia em 1978 e fez mestrado e doutorado.

https://www.youtube.com/watch?v=Sv1mFKGdjOg




ID'Artê apresenta “Frutos de Escavação”


“... é o nome da performance que a Cia ID'Artê fará neste domingo, às 19h00, dentro da programação da 5ª Vielada Cultural | Favela Jazz Festival.

É uma turma multiexperimental e multimídia, que até programa de rádio tem, e o programa nº 39 é dedicado, entre outros delírios, à divulgação da Vielada.”



  
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Ficha Técnica

Diretor-Geral: Javier Morejón

terça-feira, 23 de junho de 2015

NAVE # 12

Este é o Periódico Nave,
e esta é a Cena Artêsta!
Sejam bem-vindos ao imaginário...




A pessoa artêsta é aquela que mergulha nas ondas do imaginário. O imaginário é um oceano infinito, dentro de algo eternamente finito – a forma. Pode-se dizer que a artêsta é uma gota, e seu imaginário é o oceano. A gota se derrama no oceano porque esse é o seu anseio essencial. Num oceano infinito existem riquezas infinitas. O trabalho da artêsta é extrair as riquezas e lapidá-las em obras de arte. Assim, a artêsta é um tipo de ponte entre a consciência e o inconsciente.” (A Artêsta e a Escola de Artêstas)


Rádio Chanel

26º PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL.
9º Capítulo - III Parte da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Ridarco.
Trilha Sonora: Pantera.
Ida Sonora: Samba 1 Alince (Alince e Pantera) e Aquática - 1ª Playlist de Ida Sonora.
Divulgação: Ateliê 3Marias, Festa JUNINA na Rua Carlolta Marchísio-Vila Joaniza, Periódico#Nave 10 e Exposição DEIDADE-GENTE.

27º PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL.
9º Capítulo - IV Parte da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Ridarco.
Trilha Sonora: Pantera.
Ida Sonora: Terremoto(Pantera) da 1ª Playlist de Ida Sonora.
Divulgação: Exposição DEIDADE-GENTE, Festa Junina na Vila Joaniza, Grupo de Capoeira Angola Omoayê, Periódico#Nave 10 e Ateliê 3Marias.
Produção: Neopardas Cia de Artes.

28º PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL
9º CAPÍTULO - V PARTE da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Ridarco.
Trilha Sonora: Pantera.
Ida Sonora: 2 músicas da trilha sonora do Vídeo Dança "Cenas de Ridarco e Sátiros"(Pantera) e Ida 3 (Tom Barão e Pantera) da 1ª Playlist de Ida Sonora.
Divulgação: Grupo de Capoeira Angola Omoayê, Ateliê 3Marias, Exposição DEIDADE-GENTE e Periódico#Nave.
Produção: Neopardas Cia de Artes.

29º PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL
9º Capítulo - VI Parte da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Ridarco.
Trilha Sonora: Pantera.
Ida Sonora: Aquática - 1ª Playlist de Ida Sonora(Pantera).
Divulgação: Festa Junina na Vila Joaniza, Ateliê 3Marias e Periódico#Nave.
Produção: Neopardas Cia de Artes.

30º PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL.
Entrevisto o Poeta Claudio Laureatti.
10º Capítulo - I Parte da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Ridarco.
Trilha Sonora: Pantera.
Divulgação: Ateliê 3Marias, Periódico#Nave, Grupo de Capoeira Angola Omoayê.
Produção: Neopardas Cia de Artes.


3º CAPÍTULO DA NOVELA DE IDAS
Da realidade e do Imaginário de Ridarco e Cléia Plácido

Eu e Solar passeamos em nuvens brancas, que se tornam cinzas e do cinza, cinza-escuro. Um relâmpago abre um abismo. Vemos Lunar andar lá embaixo olhando para sua vó correndo nua pelo campo. De uma janela, ela vê a casa que não tem teto e a nuvem que passeia sob sua cabeça é a que estamos. Vemos nos olhos de Lunar, sua vó dar a mão para uma menina pulando entre as pedras de um quintal, pedras que flutuam pelo sol, pelo céu, pedras incandescentes de um coração afetuoso.  Eu e Solar caimos dentro desse abismo escuro, já não sei mais quem sou, silêncio, cheiro de hortelã. Não vejo mais Solar. Dentro de mim está frio e é quente. Sou um tubo de fluxos e marés em uma espiral amplificando futuro e passado, essa espiral nos traz, eu  e Solar de volta para as nuvens que estávamos. Nos olhos de Lunar a janela se abre e aparece André tecendo. Lunar está sem mapa e sem fio. Dessa nuvem que eu e Solar estamos, cai água como se fosse uma cachoeira e do tear do André nos olhos de Lunar, surgem fios que me enovelam, viro uma arquitetura de novelos olhando para o abismo. Eu e Solar vemos a caveira envolvida numa camada de gelo andando no cemitério. Mergulho na cachoeira, meus limites se perdem,  minha cabeça esquenta e explode em fogo, fios queimam.  Chego no cemitério e vejo duas caveiras. Pego nas mãos das duas e salto para a nuvem que Solar aguarda. Solar pega na mão de uma caveira e salta no mar enquanto salto de mãos dadas com a outra caveira, no fogo. Lunar sai correndo e sua vó vem abraçá-la desaparecendo antes que se toquem. Eu e a caveira estamos no centro da terra.  Ela me joga de volta para o cemitério forrado de folhas secas. Vejo uma janela e o céu, faço um voo até a janela, passando dentro dela e por entre telhados até chegar numa montanha e de cima da montanha; vejo o mar. Estou novamente no cemitério e as folhas secas que piso, chiam folhas secas pisadas.  Nasce uma planta de três folhas. Vejo um bar, neste bar há um homem que trabalha solitariamente. Ouço um caminhão passar, estou em sua carroceria. Ele vai em direção ao sol. O sol emite um raio no caminhão e o caminhão vira um barco. Estou só entre chuvas, trovoadas e maremoto. Vejo um grande barco de pirata, um barco velho e surrado de pilhagens, costeiras, distâncias. Entre as trevas do meu lado direito está a República Cosária Moura de Salé: ranters e diggers. Entre as trevas do meu lado esquerdo está a Libertátia e o Capitão Mission discursa. O pirata está na popa do barco da grande embarcação, e aponta a espada em minha direção. 

Sou capturado, o convés está cheio de piratas, o capitão me prende na haste que iças as velas, me coloca uma corda no pescoço, aponta a espada para a minha testa, meu peito, passa a ponta dela nas minhas costelas. Surge Lunar e Solar para me salvar. Elas saltam nas águas do mar que causando um maremoto, o barco balança e o mar o engole.  Todos os piratas caem no mar, estou boiando. Estou sendo conduzido por um tubarão, estou de volta no caminhão indo em direção ao sol. Num instante a lua entra na frente do sol. Estou vendo o Eclipse do alto de algum prédio, numa grande metrópole, numa mesa escrevendo um tratado para um país. Parte de mim vê o Eclipse, a outra parte vê o mar depois das montanhas. Uma parte não sabe da outra, tão pouco se procuram. Algo pulsa entre elas, é o estômago e o coração que flutuam entre. Lembro de quando estava deitado na grama olhando para o céu ao lado da Lunar. Lá embaixo acontece uma grande enchente, tem muita gente, uma grande cobra verde abraça o edifício inteiro. A grande enchente inunda um lugar fechado por prédios, as avenidas ao redor estão alagadas e todas estão em correnteza. Salta um reptil de dentro das águas e volta para as profundezas, salta novamente e uma boca grande que me engole. Intestinos se contorcem e se expandem e uma bola de fogo surge em meu ventre. Tudo escuro, vejo uma montanha reluzindo fraca. Tem muita gente.

Uma dessas pessoas tem um chapéu de palha bem trabalhado com uma tira preta que o envolve. O chapéu cai no chão, e de dentro dele nasce uma planta com três folhas. Lunar come uma folha, Solar come outra. Lunar desaparece e reaparece totalmente luz amarela. Solar come outra folha, desaparece e retorna luz branca. Eu como uma das folhas que me faz girar e girar até me transformar num furação e começar a crescer, crescer, crescer até ficar maior que os prédios da grande metrópole. Percebo as sombras das nuvens no chão em Campinas. Solar e Lunar estão gigantes em suas cores respectivas. Mexo nas nuvens. Solar e Lunar voam para o espaço. Lunar vai para marte, Solar para os anéis de Saturno; dança explorando todo o círculo. Lunar anda por marte num cavalo. Solar diz que Júpiter é sua morada e voa até lá. Salto para marte, e ao lado de Lunar, desbravo o planeta num cavalo preto. Chão vermelho e pedras cinzas, céu amarelo-alaranjado, um deserto ser desvendado. Saltando de Júpiter em cima de seu Pégasus preto,  Solar entusiasmada desbrava com a gente. Surgem drones, águias, tigres voando.  Saltamos os 3 num deserto do planeta terra e paramos. Não podemos avançar, uma mão me segura, pois há um leão que me encara e grunhe. Há um tigre e uma hiena. De algum lugar entre estes animais, voa uma mosca na minha direção, ela fica na minha frente. Toco nela e ela fica gigante.



Ateliê 3MariaS


Peças elaboradas a partir de referências estéticas do estudo de formas, cores e símbolos. Com formas geométricas básicas retomamos a matéria primordial da arte, o duo linhas e cores. 
Uma perspectiva de valorização do conteúdo particular de cada indivíduo por meio de um vestuário não somente funcional, mas repleto de conteúdo simbólico e artístico.         
Desing inspirado na mitologia de personagens identificadas e manifestadas pelas Artêstas com o uso do Sistema Ida, uma metodologia de investigação do imaginário.

  




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Ficha Técnica
Diretor - Javier Morejón

quarta-feira, 10 de junho de 2015

NAVE # 11

Este é o Periódico Nave,
e esta é a Cena Artêsta!
Sejam bem-vindos ao imaginário...



A pessoa artêsta é aquela que mergulha nas ondas do imaginário. O imaginário é um oceano infinito, dentro de algo eternamente finito – a forma. Pode-se dizer que a artêsta é uma gota, e seu imaginário é o oceano. A gota se derrama no oceano porque esse é o seu anseio essencial. Num oceano infinito existem riquezas infinitas. O trabalho da artêsta é extrair as riquezas e lapidá-las em obras de arte. Assim, a artêsta é um tipo de ponte entre a consciência e o inconsciente.” (A Artêsta e a Escola de Artêstas)




Link da página da Neopardas Cia. de Artes, no Facebook:https://www.facebook.com/neopardasciadeartes?ref=hl



Grupo de Capoeira Angola Omoayê


Blog do Grupo Capoeira Angola Omoayê:                         http://capoeiraangolaomoaye.blogspot.com.br/


Dance Escondida # 6

Doutoranda da FFLCH e pesquisadora do IEB (Instituto de Estudos Brasileiros), onde pesquisa a obra de Mário de Andrade. 
Dança, conta histórias, escreve poemas e pesquisa a cultura afrobrasileira.

Acompanhe neste link a entrevista:                 
https://www.youtube.com/watch?v=_ii84_FIiKY

Link da página no facebook do programa Dance Escondida:


Rádio Chanel

21º PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL. 8º Capítulo - IIII Parte da Novela de Idas. Da Realidade e do Imaginário de Ridarco. Trilha Sonora: PanteraIda Sonora: Ida 1 da 1ª Playlist de Ida Sonora(Tom Barão e Pantera) Divulgação: Performance Pirâmide no CCSP (Partilha do Sensível), Exposição DEIDADE-GENTE e Periódico#Nave. Foto Capa: Tatiana Abitante. Produção: Neopardas Cia de Artes.https://www.mixcloud.com/radiochanel/21o-programa-da-r%C3%A1dio-chanel/

22º PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL. 8º Capítulo - V Parte da Novela de Idas. Da Realidade e do Imaginário de Ridarco. Trilha Sonora: Pantera. Ida Sonora: Trilha da Performance Pirâmide(Pantera) Imagem: Inauguração da Cena Artêsta na FFLCH(USP) Divulgação: Periódico#NAVE, Exposição DEIDADE-GENTE e FEIRAVANA.Produção: Neopardas Cia de Artes.https://www.mixcloud.com/radiochanel/22o-programa-da-r%C3%A1dio-chanel/

23º PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL. 8º Capítulo - VI Parte da Novela de Idas.Da Realidade e do Imaginário de Ridarco.Trilha Sonora: Pantera.Ida Sonora: 2 músicas da trilha sonora do Vídeo-Dança " Cenas de Ridarco e Sátiros" (Pantera) Divulgação: Grupo de Capoeira Angola Omoayê, Periódico#Nave, Exposição DEIDADE de Aline Magnos. Produção: Neopardas Cia de Artes.https://www.mixcloud.com/radiochanel/23o-programa-da-r%C3%A1dio-chanel/

24º PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL. 9º Capítulo - I Parte da Novela de Idas. Da Realidade e do Imaginário de Ridarco. Trilha Sonora: PanteraIda Sonora: Ida 1(Tom Barão e Pantera) e Pouso ou Decolagem (Pantera) da 1ª Playlist de Ida Sonora. Divulgação: Exposição DEIDADE-GENTE, Periódico#NAVE 10, Grupo de Capoeira Angola Omoayê e Ateliê 3Marias. Produção: Neopardas Cia de Artes. https://www.mixcloud.com/radiochanel/24o-programa-da-r%C3%A1dio-chanel/

25º PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL. 9º Capítulo - II Parte da Novela de Idas. Da Realidade e do Imaginário de Ridarco.Trilha Sonora: Pantera Ida Sonora: Ida 3 ( Tom Barão e Pantera) da 1ª Playlist de Ida Sonora. Divulgação: Exposição DEIDADE-GENTE, Periódico#NAVE 10 e Atêlie 3Marias. Produção: Neopardas Cia de Artes. https://www.mixcloud.com/radiochanel/25o-programa-da-r%C3%A1dio-chanel/


2º CAPÍTULO DA NOVELA DE IDAS
Da realidade e do Imaginário de Ridarco, Chico Américo e Daniel Volatinero

Cavalos passam pela minha cabeça, de um lado e outro, raspando minhas orelhas. Vejo ondas, ondas brancas como nuvens com um fundo escuro. Luzes em riscos azuis e brancos e um monte de cavalos correm em direção ao chão, estes cavalos são pequenos, parecem de brinquedos, mas não são. Três correm no meu quintal. Eu estou parado pensando, que me via parado. Manchas, riscos de outras cores próximas dos meus olhos… continuo pensando “estou parado”. Os cavalos correm até o portão e voltam de costas como se fossem cavalos de um parque de diversão. Mais manchas em cores opacas, como nuvens próximas dos meus olhos, enquanto pensava “continuo parado. Cavalos correm e voltam, correm e voltam. Manchas, uma imagem nebulosa, uma vela surge do meu lado direito perto do meu rosto um emaranhado dos tecidos do meu cérebro, uma luz faz sumir esse emaranhado e uma menina passa pelo portão de cor salmão, descendo a rua, ela passa e repassa como se o passado voltasse. Ela passa e repassa dominando toda minha visão até surgir uma escuridão que passa deixando uma nebulosa cinza, com alguns riscos azuis, com fundo escuro, cabelos. Os cavalos continuam correndo e voltando simultâneos, e a menina passa e repassa como se voltasse no tempo. Até que um cavalo escapa e voa, a menina pula e pega nas patas traseiras do cavalo e voa com ele. Quando estão bem alto, ela solta as patas e cai, cai, cai numa piscina e eu pulo dentro da piscina, tudo fica escuro, procuro ela e não vejo nada. Vejo um muro de pedra, musgo no fundo. O cavalo cai na piscina e eu subo nele. Sereno do frio de uma noite estrelada. Estamos num rio, olhando pra fora ou pra dentro. Tem uma grama e árvores em volta, pedra velha gasta, lisa. As águas do rio brilham verde iluminado do sol, num fluido vento, um jacaré. Num salto do cavalo, estamos num castelo, a parede do meu lado direito é de ouro e a imagem de Solar no carnaval está impressa nesta parede. O cavalo cavalga num corredor, a imagem de Solar se desprende da parede e pula no lombo do cavalo, sentando atrás de mim. Cavalgam os ciclos.

Cavalgando no cavalo com Solar, tambores manifestam o chão, sinto seu abraço e seus braços sobre os meus. Tremem torres e cidades. Suas mãos nos meus cabelos e toda a cabeça.  Solar pula pra cima da cabeça do cavalo e começa a dançar, fica num pé só, faz giros de bailarina e ri pra mim. Gira muito. A parede de ouro entra em mim,  no lugar dela há uma mata, o gelo que encobre o campo omite o subsolo quente, no corredor do castelo, uma maca num palco. Na parede do meu lado esquerdo: sumo de uvas pelos dedos, dedilhando melodias sobre meladas vulvas melódicas de um piano sem som. Melodramáticas notas, melancolias num quadrado de madeira e uma navalha no canto do quadro reflete o trotar do cavalo; me lanço em agonias melogramáticas. Megalomanias, melogaláticas. Mas não deixo de continuar galopando, a Solar dá um salto mortal e senta no lombo do cavalo. Ela volta colocar seus braços sobre os meus. Vejo os artêsta fazendo uma Ida na Torre, os artêstas na grande escola sustentando uma grande pirâmide, os artêstas no Programa Dance Escondida. Vejo uma grama, um terreno imenso, verde, um rio, um portão preto sustentado por uma estrutura de pedra que o circunda, é um cemitério. Evito de ir lá e continuo a estrada. Pelo receio resolvo voltar e entrar naquele portão. Empurro ele e vejo um túmulo, há uma escultura cinza, me aproximo e vejo os ossos dessa escultura deitada para o seu lado direito. Solar está do meu lado. Vejo mexer os ossos pelos joelhos e o esqueleto se levanta, abre os braços, e ri hahahahahahahahahahahahaha. Solar aparece do lado do esqueleto e tem uma tocha e queima o esqueleto. Eu jogo água, ela queima novamente, eu jogo água, ela queima de novo, eu jogo água pego nos braços de Solar, olho nos olhos dela e a levo para alguma nuvem.


Ficha Técnica

Diretor-Geral: Javier Morejón

segunda-feira, 1 de junho de 2015

NAVE # 10

Este é o Periódico Nave,
e esta é a Cena Artêsta!
Sejam bem-vindos ao imaginário...



A pessoa artêsta é aquela que mergulha nas ondas do imaginário. O imaginário é um oceano infinito, dentro de algo eternamente finito – a forma. Pode-se dizer que a artêsta é uma gota, e seu imaginário é o oceano. A gota se derrama no oceano porque esse é o seu anseio essencial. Num oceano infinito existem riquezas infinitas. O trabalho da artêsta é extrair as riquezas e lapidá-las em obras de arte. Assim, a artêsta é um tipo de ponte entre a consciência e o inconsciente.” (A Artêsta e a Escola de Artêstas)


A Neopardas Cia. de Artes apresenta:


Performance Pirâmide

“Tendo permitido que suas imaginações fossem despertadas pela força dos símbolos, eles seguiram os ecos de sua expressão interior – cada um abrindo um caminho próprio para o espaço do silencio, onde os símbolos deixam de existir. E retornando então ao mundo e à sua comunidade, depois de aprenderem em suas próprias profundezas a gramática da linguagem simbólica, eles estão aptos a dar uma nova vida ao passado obsoleto, bem como aos mitos e sonhos do seu presente (...)”.
(Joseph Campbell1968, p.94)

Uma performance coreográfica construída a partir do Sistema Ida, uma metodologia de investigação do Imaginário para a criação artística desenvolvida pela Cia..
A queda de uma Alice no mar primordial e seu encontro com seres das profundezas. Ondas, concavidades amplificadoras dos barulhos desse baixo-mar. E dessas águas escuras surge a árvore da existência, portadora da ciência do bem e do mal e que contém em si todos os contrários. Ao fim, mas não ao cabo, a trindade forma a pirâmide, símbolo ancestral que insiste em perdurar em nossa memória.
Nessa obra foram utilizadas as imagens de Ricardo Silva, o Ridarco.


Ficha Técnica:
Direção e concepção: Ricardo Aparecido
Trilha Sonora: Thiago Magnos
Produção: Javier Morejón
Direção de Arte: Aline Magnos
Intérpretes: Cléia Plácido, Ricardo Aparecido, Javier Morejón
Local: Centro Cultural São Paulo
Data: 26 de maio de 2015
Foto: Naava Bassi

Vídeo: Katheleen Kunath


Ateliê 3Marias

Peças únicas elaboradas a partir de referências estéticas do estudo de formas, cores e símbolos. Com formas geométricas básicas retomamos a matéria primordial da arte, o duo linhas e cores.
Uma perspectiva de valorização do conteúdo de cada indivíduo por meio de um vestuário não somente funcional, mas simbólico e artístico. 
Design inspirado na mitologia de personagens identificadas e manifestadas pelas Artêstas com o uso do Sistema Ida, uma metodologia de investigação do imaginário.
Atendemos na Av. Dr Vital Brasil, 671, ap 22.
Agendamentos in box.




Feiravana (a feira cubo-brasileira)
Proximamente, ainda este ano, a Cena Artêsta criará a sua própria Feira - a Feiravana-, com várias barracas que venderão produtos artêstas - ou seja, produtos concebidos,  parcial ou completamente, a partir da utilização do Conceito Ida- e produtos não artêstas. Em tal feira haverá diversas atrações e experimentos, como a Dimensão Contextual, grupos de música, Leilão e performances. As barracas dessa feira são as seguintes: a barraca de câmbio, para trocar o real pelo “artê” – a moeda que vale dentro da feira; a barraca de Roupa - com roupas produzidas com a estética artêsta- a barraca de Comida - que tem um cardápio multicultural e de cunho artesanal-, a barraca de Leilão - para vendermos obras plásticas- e a barraca da Editora Nave - que venderá cd, dvd, pediódico...

Esta Feiravana existirá com a intenção de criar um mercado da Cena Artêsta, sejam os produtos disponíveis artêstas ou não, além de famigerar um novo estilo de relacionamento social, no qual a arte, a ciência e a espiritualidade estão unidas, indissociavelmente, como uma das prerrogativas fundamentais da pós-modernidade. 

Em breve! Feiravana!

Neopardas Cia. de Artes
Pode-se dizer que o objetivo existencial das produções da Neopardas Cia. de Artes é, em primeiro lugar, defrontar-se com as arestas dos tabus, de forma a produzir uma qualidade de arte que vá além dos clichês recorrentes em nossa cultura. Com esse propósito, acreditamos que o espectador também será levado a um lugar de reflexão e de fascínio estético.  

Cena Artêsta
É formada por artêstas e não artêstas que produzem, divulgam e/ou vivenciam os produtos e as atividades artêstas, e está composta de várias organizações, como a Neopardas Cia. de Artes, o Periódico Nave, a Rádio Chanel, o Programa Dance Escondida e o Centro Terapêutico do Imaginário.

Ficha Técnica
Diretor - Javier Alberto P. Morejón


Acesse também o blog da Neopardas Cia. de Artes e do Periódico Nave:

sexta-feira, 29 de maio de 2015

NAVE # 9

Este é o Periódico Nave,
e esta é a Cena Artêsta!
Sejam bem-vindos ao imaginário...



A pessoa artêsta é aquela que mergulha nas ondas do imaginário. O imaginário é um oceano infinito, dentro de algo eternamente finito – a forma. Pode-se dizer que a artêsta é uma gota, e seu imaginário é o oceano. A gota se derrama no oceano porque esse é o seu anseio essencial. Num oceano infinito existem riquezas infinitas. O trabalho da artêsta é extrair as riquezas e lapidá-las em obras de arte. Assim, a artêsta é um tipo de ponte entre a consciência e o inconsciente.” (A Artêsta e a Escola de Artêstas)




CCSP: Partilha do Sensível & Neopardas Cia. de Artes

Bailarinos: Ricardo Aparecido, Cléia Plácido, Javier Morejón.
Trilha Sonora: Thiago Magnos.
Direção de Arte: Aline Magnos.                                 
Roteiro e Direção Geral: Ricardo Aparecido.
Foto: Naava Bassi
Vídeo: Kathleen Kunath







                                                       
                                                                                 
                                          NA CASA AIMBERÉ, RODA DE CAPOEIRA


FICHA TÉCNICA RÁDIO CHANEL


16º PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL. 
7º Capítulo – 2ª Parte da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Ridarco e Daniel Volatinero.
Trilha Sonora: Pantera.
Ida Sonora: Árvore Nasce Pirâmide(Pantera) - música para a Performance Pirâmide.
Terremoto(Pantera) da 1ªPlaylist de Ida Sonora.
Arte Imagem: Aline Magnos.
Divulgação: Grupo de Capoeira Angola Omoayê, Exposição DEIDADE-GENTE, Periódico#NAVE.
Produção: Neopardas Cia de Artes.

17º  PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL.
Entrevista: Raquel Nascimento Gomes & Priscila Silva (Editoras da REVISTA ESCRITA PULSANTE).
7º Capítulo – 3ª Parte da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Ridarco e Daniel Volatinero.
Trilha Sonora: Pantera.
Ida Sonora: Ida 2 (Tom Barão e Pantera) da 1ª Playlist de Ida Sonora.
Entrevista: Raquel Nascimento Gomes & Priscila Silva (Editoras da REVISTA ESCRITA PULSANTE).
Divulgação: Exposição DEIDADE-GENTE e Periódico NAVE.
Produção: Neopardas Cia. de Artes

18º PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL.
8º Capítulo - I Parte da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Ridarco.
Trilha Sonora: Pantera.
Ida Sonora: Ida 1 da 1ª Playlist de Ida Sonora(Tom Barão e Pantera).
Entrevista rápida e rasteira: Chico Américo (Ator)
Divulgação: Dimensão Contextual, Periódico#NAVE & Exposição DEIDADE-GENTE.
Arte Imagem: Aline Magnos
Produção: Neopardas Cia de Artes.


19º  PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL.
Entrevista a Poeta Tula Pilar.
8º Capítulo - II Parte da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Ridarco.
Trilha Sonora: Pantera
Ida Sonora: Pouso e Decolagem (Pantera) & Terremoto(Pantera) - Músicas da 1ª Playlist de Ida Sonora.
Divulgação: Exposição DEIDADE-GENTE, Periódico #‎Nave e Dimensão Contextual.
Produção: Neopardas Cia de Artes.


20º PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL.
8º CAPÍTULO - III PARTE da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Ridarco.
Trilha Sonora: Pantera.
Ida Sonora: Samba 1 (Alince e Pantera) da 1ª Playlist de Ida Sonora.
Divulgação: Grupo de Capoeira Angola Omoayê, Periódico#Nave, Exposição DEIDADE-GENTE.


Programa Dance Escondida
O programa Dance Escondida é um meio de divulgação da produção contemporânea de pessoas ligadas à universidade, às artes, à educação, enfim, pessoas que estão produzindo conhecimento de algum modo. Além disso é uma forma de registro, um retrato da nossa época, um acervo audiovisual de personalidades brasileiras e suas produções.
E por que “Dance Escondida”?

Essa é uma frase chave do filme IDA, produção basilar da Cena Artêsta, à qual pertence o programa. É um chamado ao autoconhecimento, a um olhar para si. A dança funciona como instrumento de expressão, como um manifesto do corpo. Valorizamos o corpo como manifestação da vida, da natureza em todas as suas funções orgânicas e inorgânicas – como o intelecto, os fenômenos fantásticos e metafísicos que acontecem “dentro” do corpo (ou se preferirem, em seu “perímetro de existência”).
Dançar é uma ação de valorização do corpo, de valorização do humano.

E por que “escondida”? Em uma época de super exposição da vida privada, esta tornando-se cada vez mais uma vida pública, trazemos esse convite à intimidade, do olhar para si, do ver-se. Para isso não basta olhar no espelho ou fazer selfies, é preciso mergulhar no oceano de si.
Por isso convidamos pessoas que, independentemente se é famosa ou não, estão adentrando em suas próprias profundezas e trazendo conteúdos de lá por meio de suas produções intelectuais, artísticas, pedagógicas e por aí vai. E ao final de cada programa, eu, Aline Magnos, convido @ entrevistad@ a dançar comigo, num gesto de valorização do encontro e expondo a beleza de um equilíbrio dinâmico (que sempre está em movimento) entre o estar só e o estar com o outro.


Dance Escondida # 5 Eliany Funary Lili

Ela é filha de mãe paraguaia e pai brasileiro, formada em Letras e pesquisadora da cultura afrobrasileira. Dançarina e uma das responsáveis pela manutenção do Núcleo de Artes Afrobrasileiras da USP. A doce Lili!





O medo das raízes

Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

(Mia Couto, Identidade)


As raízes andam sufocadas em São Paulo. Cercadas de pedra, poeira, asfalto e cinza, não encontram no grito das cores o respiro que as flores têm. Não são levadas, arrastadas, embaraçadas, sacudidas, sustentadas, despidas, sequer tocadas, como são as folhas e os galhos ao vento; quando muito, são culpadas por não sustentarem mais o peso do tronco, quando vai ao chão a árvore. “Saudável”, dirá um pedestre, “mas de raízes fracas”.

E a raiz, o que ela procura? Terra. Não “uma” terra, não qualquer terra, mas “A” terra, apenas. No caminho que faz, a raiz não se constrange mais com a pedra, com o cinza, e brutamente abre espaço até alcançar seu objetivo, a vermelhidão marrom da terra. Feia como a brutalidade sabe ser, a raiz impõe-se à ordem e cria em si e por si um novo sentido à palavra medo: quanto mais fundo consegue ir rumo ao coração da terra, mais visível e menos vista se torna.
 Aline Magnos apresenta suas raízes na exposição “Deidade-Gente”, em cartaz na Passagem Literária da Avenida Paulista até 9/6.  As obras materializam basicamente temas arquetípicos – aquelas imagens que beiram o onírico e que pertencem ao caldo que dava liga à existência na Pangeia, quando ainda não sabia a Terra os filhos que teria. Nas obras, o Animus e a Anima, porções do inconsciente que buscam a totalidade em sua incompletude, manifestam-se pelo jogo estabelecido pelas raízes: as figuras femininas diferenciam-se das figuras masculinas pela presença de raízes em vez de tronco – o masculino busca uma solidez sem saber que o segredo está em entranhar-se, não em estabelecer-se?

A melancolia de Ceres, a deusa-mãe romana que luta para reaver o bendito fruto de seu ventre, Prosérpina, ainda que para isso tenha que condenar a existência humana ao perecimento, está marcada nas cores fortes e no traço carregado. Como sabiam os romanos, a existência tem um termo, e a finitude obriga a uma postura diante da vida: é preciso lembrar, é preciso construir uma memória que se torne permanente, ainda que pereça o corpo. Por isso elegeram Ceres como a mãe de seu povo – as raízes, elas que garantem o contato entre os tempos.
A porção deidade encontra a porção gente em Medeia, a absoluta mulher que age com o que há de mais masculino (e não estamos falando de sexismo, mas sim de arquétipos, sim? Obrigado.) para levar a cabo sua vingança, matando os filhos que teve com Jasão. Conta a mitologia – ou seria a teologia? - que Medeia foge para Atenas e leva consigo seu filho, Medo, e dele faz rei.

Como não pensar no medo que a boca escancarada em labirinto infinito demonstra na obra de Aline?  Esse medo-rei retoma seu lugar a cada pincelada (e a cada costura, uma vez que há espaço para experimentação que remete aos Parangolés de Oiticica), e é a “feiticeira das encruzilhadas,
padroeira da magia, deusa-demônia”, como Chico Buarque desenha sua Medeia em Gota d'Água, que faz do medo o rei.

Num mundo desencantado, somente a anormalidade - a queda da árvore sem aviso prévio – pode dar a conhecer a força da raiz, revirando o calçamento das sensações.

Aline Magnos

Ficha Técnica
Diretor - Javier Morejón

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