“A pessoa artêsta é aquela que mergulha nas ondas do imaginário. O imaginário é um oceano infinito, dentro de algo eternamente finito – a forma. Pode-se dizer que a artêsta é uma gota, e seu imaginário é o oceano. A gota se derrama no oceano porque esse é o seu anseio essencial. Num oceano infinito existem riquezas infinitas. O trabalho da artêsta é extrair as riquezas e lapidá-las em obras de arte. Assim, a artêsta é um tipo de ponte entre a consciência e o inconsciente.” (A Artêsta e a Escola de Artêstas)
Vendo a si e ao outro
Esta dinâmica tem uma diferença processual significativa em relação à primeira. Na Dinâmica de grupo II, os participantes devem voltar a sua atenção à descrição de imagens de um dos participantes. Portanto, enquanto um fala, os outros tentam reproduzir as imagens descritas, como se fosse estabelecida uma narrativa em comum. Após o término da descrição do primeiro participante, o próximo participante pode optar por romper completamente com as imagens da descrição anterior, produzindo uma nova, ou partir das imagens anteriores e a partir delas introduzir outros elementos. Após todos os participantes terem terminado sua descrição, são feitas algumas perguntas, são registradas as respostas e por último o orientador da terapia faz algumas observações, se necessário.
A característica essencial desta dinâmica é que ela permite ver ou sentir o interior da privacidade do outro, a partir de um nexo correlato de imagens. Ou seja, o outro entra - parcial ou totalmente- em seu imaginário, através do foco de atenção. Ao reproduzir o que o outro está visualizando, as emoções experimentadas pelo primeiro podem ser facilmente observadas pelo segundo. Com isso, o participante se depara com diversas emoções, advindas de diversas pessoas, algumas das quais despertam nele próprio emoções negativas, o que é extremamente significativo para o propósito desta terapia, porque isso irá forçar a pessoa a olhar ou a sentir algo que em geral permanece escamoteado ou que surge apenas como algo momentâneo e desagradável. Esse é o momento exato para observar-se, para conhecer-se. Portanto, a visualização comum de imagens tem o atributo de refletir aspectos do imaginário do outro em seu próprio imaginário, estabelecendo-se com isso um tipo de transfusão de imagens, significados e emoções.
Existem diversos métodos de fazer com que a pessoa reaja emocionalmente, afim de que ela perceba como uma determinada emoção funciona, afetando seu estado físico e mental. Extroverter o que estava introvertido e preso é a função básica da terapia. No caso da Terapia do Imaginário, isso é feito através da visualização consciente de imagens. O mero fato de nunca ou raramente olharmos para nós mesmos é suficiente para justificar a relevância de qualquer método com esse objetivo – o de extroverter conteúdos represados-, pois, por não estarmos conscientes de nosso imaginário, também não podemos alegar que estamos conscientes de nós mesmos, porque o imaginário condensa em si mesmo a totalidade.
Materiais:- Tapa olhos e/ou tapa ouvidos
- Caderno de registro
Obs: A terapia deve ser realizada num lugar escuro e silencioso. De preferência, as pessoas devem ficar deitadas, ou sentadas confortavelmente. Grupos de no máximo 4 pessoas.
Entre a decolagem e o pouso
A viagem.
Pouso sem ser ave:
é NAVE.
Nave voa que nem ave.
Onde ela vai te deixar
Ninguém pode adivinhar.
Rota sonhada
Vida magoada.
Idalia M. Arnaiz
A Gruta
Sempre lembro a dos índios
Sem contar que não é comum
Sequer usual ou aceitável
Enfim, quando criança
Tudo se aceita, enfeita e eufemiza
Nasce-se de pé de couve ou se é trazido
No bico de uma cegonha forte e alegre
Que entrega na casa certa, de sua mãe
Assim, quando entro em minha gruta
É impossível não entrar no universo subjetivo
A gruta que abriga luz, frio, calor e chuva
Que abriga e acalenta projetos, rebentos e concertos
A gruta também nasceu de um jardim, de lá vieram
Todos os talentos que nos acompanham, vitais,
Como a mineralização da rocha o é para a geologia
A morfologia das vozes que foram se afinando num Augusto
Colosso talento ou na voracidade dos Bobs com seus mundos próprios
Das tantas Fernandas, Meires, Raquéis e Ricardos, bedéis
Da cultura que se amalgama numa Companhia de corpos, nômades em seu cansaço
Se agrupam em muitos coletivos, no jardim onde tudo germinou
A gruta saiu da crostra da terra e floresceu também em castelos e cursinhos
A gruta criou pernas e agora engatinha pelo mundo das paredes de giz, dos dry walls
A gruta agora se reconfigura num outro coletivo que abriga e se veste de mil corpos dançando
E rasgando o céu, aterrisam à entrada da gruta com seus cantos e gorgeios orquestrados
Essa gruta tornou-se palco que se torna pequeno para a expectativa em torno dela, por isso dela muitos saíram
Às vezes passeiam na Augusta com as pimentas do crente andarilho que vai à meca dos mercados
Direitos, esquerdos, anjos tortos, perigosos, daqueles que deus desaconselhou a criar, todos saíram da gruta
Da garganta do mundo com todas as secreções minerais das estalactites e estalagmites, brancas, coloridas
Espadas que armam as vozes que ecoam da boca da gruta que se torna o lar dos poemas, corpos e cantos.
Sérgio Severo
Diretor Geral
Javier Morejón
Javier Morejón










