sexta-feira, 29 de maio de 2015

NAVE # 9

Este é o Periódico Nave,
e esta é a Cena Artêsta!
Sejam bem-vindos ao imaginário...



A pessoa artêsta é aquela que mergulha nas ondas do imaginário. O imaginário é um oceano infinito, dentro de algo eternamente finito – a forma. Pode-se dizer que a artêsta é uma gota, e seu imaginário é o oceano. A gota se derrama no oceano porque esse é o seu anseio essencial. Num oceano infinito existem riquezas infinitas. O trabalho da artêsta é extrair as riquezas e lapidá-las em obras de arte. Assim, a artêsta é um tipo de ponte entre a consciência e o inconsciente.” (A Artêsta e a Escola de Artêstas)




CCSP: Partilha do Sensível & Neopardas Cia. de Artes

Bailarinos: Ricardo Aparecido, Cléia Plácido, Javier Morejón.
Trilha Sonora: Thiago Magnos.
Direção de Arte: Aline Magnos.                                 
Roteiro e Direção Geral: Ricardo Aparecido.
Foto: Naava Bassi
Vídeo: Kathleen Kunath







                                                       
                                                                                 
                                          NA CASA AIMBERÉ, RODA DE CAPOEIRA


FICHA TÉCNICA RÁDIO CHANEL


16º PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL. 
7º Capítulo – 2ª Parte da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Ridarco e Daniel Volatinero.
Trilha Sonora: Pantera.
Ida Sonora: Árvore Nasce Pirâmide(Pantera) - música para a Performance Pirâmide.
Terremoto(Pantera) da 1ªPlaylist de Ida Sonora.
Arte Imagem: Aline Magnos.
Divulgação: Grupo de Capoeira Angola Omoayê, Exposição DEIDADE-GENTE, Periódico#NAVE.
Produção: Neopardas Cia de Artes.

17º  PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL.
Entrevista: Raquel Nascimento Gomes & Priscila Silva (Editoras da REVISTA ESCRITA PULSANTE).
7º Capítulo – 3ª Parte da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Ridarco e Daniel Volatinero.
Trilha Sonora: Pantera.
Ida Sonora: Ida 2 (Tom Barão e Pantera) da 1ª Playlist de Ida Sonora.
Entrevista: Raquel Nascimento Gomes & Priscila Silva (Editoras da REVISTA ESCRITA PULSANTE).
Divulgação: Exposição DEIDADE-GENTE e Periódico NAVE.
Produção: Neopardas Cia. de Artes

18º PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL.
8º Capítulo - I Parte da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Ridarco.
Trilha Sonora: Pantera.
Ida Sonora: Ida 1 da 1ª Playlist de Ida Sonora(Tom Barão e Pantera).
Entrevista rápida e rasteira: Chico Américo (Ator)
Divulgação: Dimensão Contextual, Periódico#NAVE & Exposição DEIDADE-GENTE.
Arte Imagem: Aline Magnos
Produção: Neopardas Cia de Artes.


19º  PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL.
Entrevista a Poeta Tula Pilar.
8º Capítulo - II Parte da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Ridarco.
Trilha Sonora: Pantera
Ida Sonora: Pouso e Decolagem (Pantera) & Terremoto(Pantera) - Músicas da 1ª Playlist de Ida Sonora.
Divulgação: Exposição DEIDADE-GENTE, Periódico #‎Nave e Dimensão Contextual.
Produção: Neopardas Cia de Artes.


20º PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL.
8º CAPÍTULO - III PARTE da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Ridarco.
Trilha Sonora: Pantera.
Ida Sonora: Samba 1 (Alince e Pantera) da 1ª Playlist de Ida Sonora.
Divulgação: Grupo de Capoeira Angola Omoayê, Periódico#Nave, Exposição DEIDADE-GENTE.


Programa Dance Escondida
O programa Dance Escondida é um meio de divulgação da produção contemporânea de pessoas ligadas à universidade, às artes, à educação, enfim, pessoas que estão produzindo conhecimento de algum modo. Além disso é uma forma de registro, um retrato da nossa época, um acervo audiovisual de personalidades brasileiras e suas produções.
E por que “Dance Escondida”?

Essa é uma frase chave do filme IDA, produção basilar da Cena Artêsta, à qual pertence o programa. É um chamado ao autoconhecimento, a um olhar para si. A dança funciona como instrumento de expressão, como um manifesto do corpo. Valorizamos o corpo como manifestação da vida, da natureza em todas as suas funções orgânicas e inorgânicas – como o intelecto, os fenômenos fantásticos e metafísicos que acontecem “dentro” do corpo (ou se preferirem, em seu “perímetro de existência”).
Dançar é uma ação de valorização do corpo, de valorização do humano.

E por que “escondida”? Em uma época de super exposição da vida privada, esta tornando-se cada vez mais uma vida pública, trazemos esse convite à intimidade, do olhar para si, do ver-se. Para isso não basta olhar no espelho ou fazer selfies, é preciso mergulhar no oceano de si.
Por isso convidamos pessoas que, independentemente se é famosa ou não, estão adentrando em suas próprias profundezas e trazendo conteúdos de lá por meio de suas produções intelectuais, artísticas, pedagógicas e por aí vai. E ao final de cada programa, eu, Aline Magnos, convido @ entrevistad@ a dançar comigo, num gesto de valorização do encontro e expondo a beleza de um equilíbrio dinâmico (que sempre está em movimento) entre o estar só e o estar com o outro.


Dance Escondida # 5 Eliany Funary Lili

Ela é filha de mãe paraguaia e pai brasileiro, formada em Letras e pesquisadora da cultura afrobrasileira. Dançarina e uma das responsáveis pela manutenção do Núcleo de Artes Afrobrasileiras da USP. A doce Lili!





O medo das raízes

Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

(Mia Couto, Identidade)


As raízes andam sufocadas em São Paulo. Cercadas de pedra, poeira, asfalto e cinza, não encontram no grito das cores o respiro que as flores têm. Não são levadas, arrastadas, embaraçadas, sacudidas, sustentadas, despidas, sequer tocadas, como são as folhas e os galhos ao vento; quando muito, são culpadas por não sustentarem mais o peso do tronco, quando vai ao chão a árvore. “Saudável”, dirá um pedestre, “mas de raízes fracas”.

E a raiz, o que ela procura? Terra. Não “uma” terra, não qualquer terra, mas “A” terra, apenas. No caminho que faz, a raiz não se constrange mais com a pedra, com o cinza, e brutamente abre espaço até alcançar seu objetivo, a vermelhidão marrom da terra. Feia como a brutalidade sabe ser, a raiz impõe-se à ordem e cria em si e por si um novo sentido à palavra medo: quanto mais fundo consegue ir rumo ao coração da terra, mais visível e menos vista se torna.
 Aline Magnos apresenta suas raízes na exposição “Deidade-Gente”, em cartaz na Passagem Literária da Avenida Paulista até 9/6.  As obras materializam basicamente temas arquetípicos – aquelas imagens que beiram o onírico e que pertencem ao caldo que dava liga à existência na Pangeia, quando ainda não sabia a Terra os filhos que teria. Nas obras, o Animus e a Anima, porções do inconsciente que buscam a totalidade em sua incompletude, manifestam-se pelo jogo estabelecido pelas raízes: as figuras femininas diferenciam-se das figuras masculinas pela presença de raízes em vez de tronco – o masculino busca uma solidez sem saber que o segredo está em entranhar-se, não em estabelecer-se?

A melancolia de Ceres, a deusa-mãe romana que luta para reaver o bendito fruto de seu ventre, Prosérpina, ainda que para isso tenha que condenar a existência humana ao perecimento, está marcada nas cores fortes e no traço carregado. Como sabiam os romanos, a existência tem um termo, e a finitude obriga a uma postura diante da vida: é preciso lembrar, é preciso construir uma memória que se torne permanente, ainda que pereça o corpo. Por isso elegeram Ceres como a mãe de seu povo – as raízes, elas que garantem o contato entre os tempos.
A porção deidade encontra a porção gente em Medeia, a absoluta mulher que age com o que há de mais masculino (e não estamos falando de sexismo, mas sim de arquétipos, sim? Obrigado.) para levar a cabo sua vingança, matando os filhos que teve com Jasão. Conta a mitologia – ou seria a teologia? - que Medeia foge para Atenas e leva consigo seu filho, Medo, e dele faz rei.

Como não pensar no medo que a boca escancarada em labirinto infinito demonstra na obra de Aline?  Esse medo-rei retoma seu lugar a cada pincelada (e a cada costura, uma vez que há espaço para experimentação que remete aos Parangolés de Oiticica), e é a “feiticeira das encruzilhadas,
padroeira da magia, deusa-demônia”, como Chico Buarque desenha sua Medeia em Gota d'Água, que faz do medo o rei.

Num mundo desencantado, somente a anormalidade - a queda da árvore sem aviso prévio – pode dar a conhecer a força da raiz, revirando o calçamento das sensações.

Aline Magnos

Ficha Técnica
Diretor - Javier Morejón

Acesse também o blog da Neopardas Cia. de Artes e do Periódico Nave:

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