quinta-feira, 3 de setembro de 2015

NAVE # 23

Este é o Periódico Nave,
e esta é a Cena Artêsta!
Sejam bem-vindos ao imaginário...



A pessoa artêsta é aquela que mergulha nas ondas do imaginário. O imaginário é um oceano infinito, dentro de algo eternamente finito – a forma. Pode-se dizer que a artêsta é uma gota, e seu imaginário é o oceano. A gota se derrama no oceano porque esse é o seu anseio essencial. Num oceano infinito existem riquezas infinitas. O trabalho da artêsta é extrair as riquezas e lapidá-las em obras de arte. Assim, a artêsta é um tipo de ponte entre a consciência e o inconsciente.” (A Artêsta e a Escola de Artêstas)




O presente documento, publicado a seguir, é de autoria de Javier Morejón, Denis Faria, Tom Barão e Rodrigo Olivo Scandaroli (Da Roça). 
                                  Navê[1] Literária
A Navê Literária (a primeira Navê) é um sistema aprimorado de Ida[2]. A versão original da Ida consiste numa incursão da consciência no imaginário, com uma origem e um término, sendo dividida sua estrutura em: (1) a Referência, (2) o Registro, (3) a Incursão[3]. Na Navê Literária é acrescentada uma quarta função: a Incursão Parcial. A Incursão Parcial consiste numa pessoa que realiza a incursão durante tempo indeterminado e, quando da pausa da referência, a mesma se dirige à pessoa responsável pelo Registro e narra-lhe aquilo que ela visualizou imageticamente durante a incursão. Após o término de sua descrição, ou mesmo antes - segundo a regra pré-definida-, aquele que realiza a Incursão Parcial, quando da retomada da referência, volta novamente à incursão. Isto porque na Navê Literária a Referência não é constante: nos momentos em que ela ocorre, tanto aquele que faz a Incursão Completa quanto aquele que faz a Incursão Parcial estão ao mesmo na Incursão. Somente quando a Referência é interrompida é que aquele que faz a Incursão Parcial interrompe a sua incursão e narra àquele que faz o Registro o conteúdo de suas impressões imagéticas, enquanto a pessoa que faz Incursão Completa não interrompe a sua incursão, mas permanece nela da origem ao término.


Aspectos Sintéticos da Navê Literária

1.      Para que aja a Navê Literária são necessárias quatro pessoas. Uma para fazer a Referência, uma para fazer o Registro, uma para fazer a Incursão Completa, outra para fazer a Incursão Parcial.
2.      A Ida da Navê Literária é de longa durabilidade, com mínimo de 10 minutos de duração.
3.      A escolha da referência é importante, posto que a referência é o que determina o tipo de imagens que serão evocadas. Cada referência, portanto, deve ser criada segundo um tipo de necessidade existencial. Ou seja: a referência é o produto de uma escolha reflexiva.  
4.      A pessoa que faz a Referência não pode se demorar em voltar à referência, pois isso comprometeria a própria pessoa que faz a Incursão Completa. Por exemplo, se a pessoa que faz a Incursão Parcial demorar mais do que 1 ou 2 minutos para expor ao Registro suas imagens, a Referência deve retomar imediatamente o som que estava produzindo. Para tanto, 1 ou 2 minutos deve ser o limite da interrupção da referência e o prazo máximo para a Incursão Parcial passar a sua mensagem imagética ao Registro. No caso da mensagem ser dita rapidamente, em questão de poucos segundos, a Referência deve voltar à tona tão logo a Incursão Parcial tenha terminado sua transmissão, do modo mais sincronizado possível.
5.      O som produzido pela Referência deve ser constante, para que seja mais eficiente a amplificação das ondas do imaginário que estão sendo pescadas pela consciência.
6.      A Referência precisa produzir som, ondas sonoras, mas a maneira como o som é produzido e a característica que passa a ter é de livre criação. Vale dizer, de maneira nãoacadêmica e nãotradicional.
7.      Aquele que faz o Registro deve ficar como responsável pela observação do tempo estipulado de no mínimo 10 minutos de Ida. Quando o tempo de 10 minutos acabar, o Registro deve informar à Referência, e esta deve cessar sua função, dando término à Ida da Navê Literária.
8.      O Registro deve ocupar-se prioritariamente de registrar a Incursão Completa e a Incursão Parcial, procurando dar foco à totalidade do corpo.  
9.      A pessoa que faz a Incursão Parcial deve se concentrar para tentar encontrar imageticamente a pessoa que está fazendo a Incursão Completa. A 4ª função prevista na Navê Literária, assim, é um tipo de “tradutor imagético”, pois tenta captar e descrever as imagens daquele que executa a Incursão Completa.

Obs1: A Ida é de longa durabilidade para que dê tempo de que as impressões sejam mais intensas e profundas; e quanto mais longa for a Ida, maior a probabilidade de que o incursor manifeste um estado de hipnose ou transe. 
Obs2: A Navê Literária é uma técnica contemporânea de investigação/materialização do imaginário. Aqueles que a executam devem estar cientes de seus riscos psicofísicos, de suas normas estruturais e de suas proposições existenciais.


[1] De acordo com “As 3 Idas”, de autoria de Thiago Magnos, Aline Magnos e Javier Morejón.
[2] De acordo com Conceito Ida.
[3] De acordo com o Conceito Ida e o Modelo do Imaginário. 





Dia 12 de setembro a Neopardas Cia. D'Artê, a Cia. Cubo-Brasileira D'Artê e a Cia IDArtê estarão reunidos na GRANDE IDA na Festa Literária da Cidade Tiradentes.
Sábado, 19 hs!
Apresentaremos as obras que estão nascendo das 3IDAS:
- Ida do Corpo
- Ida Imagética
- Ida Literária com Sarau da Gruta.
E Em novembro:
III MOSTRA DE ARTES DO MOVIMENTO IDA!
A Caravana não pára!






Ateliê 3Marias
Amig@s,
É com grande satisfação que compartilho convosco o editorial outono inverno do Ateliê 3MariaS.
Essa coleção é chamada "Primeira Extração Artêsta" e é fruto de escavações em meu imaginário.
Ela reflete minha relação com as entidades e elementos da natureza, e com a urbanidade afroameríndiaciganoportuguesa que corre em minhas veias. Todas as fotos foram feiras no Parque Vila do Rodeio, na Cidade Tiradentes, meu berço, minha história.
Todas as peças deste editorial foram confeccionadas por mim no Ateliê 3MariaS e estão à venda. Pedidos in box.
Meus agradecimentos especiais aos belíssimos modelos Débora Santos, François Augusto Dos Reis, Jeny Dias (Ewaci), além da ajuda e apoio da Vanessa (Oyaci, mãe da Jeny).

Ficha Técnica:
Modelos
: Débora Santos, Jeny Dias, François Augusto Dos Reis
Produção: Aline Magnos.
Fotografia: Aline Magnos.
Maquiagem e figurino: Aline Magnos.














Rádio Chanel


75° PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL
18° Capítulo - I Parte da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Ridarco.
Trilha Sonora: Pantera
Ida Sonora: da 1ª Playlist de Ida Sonora - Ida 2 - Tom Barão e Pantera, Samba de Alince - Alince e Pantera.
Divulgação: Ateliê 3Marias, Periódico#Nave e 3Idas
Produção: Cia ID´Artê.

76° PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL
18° Capítulo - II Parte da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Ridarco.
Trilha Sonora: Pantera
Ida Sonora: Pulsante do Álbum Pulsante de Tom Barão.
Divulgação: Ateliê 3Marias, Periódico#Nave e Grupo de Capoeira Angola Omoayê.
Produção: Cia ID´Artê

77° PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL
18° Capítulo - III Parte da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Ridarco.
Trilha Sonora: Pantera
Ida Sonora: Ridarco do Álbum Pulsante de Tom Barão.
Divulgação: Periódico#Nave, Ateliê 3Marias, Ida do Corpo.
Produção: Cia ID´Artê.

78° PROGRAMA DA RÁDIO CHANEL
18° Capítulo - IV Parte da Novela de Idas.
Da Realidade e do Imaginário de Ridarco.
Trilha Sonora: Pantera.
Ida Sonora: Dimensão do Contrabaixo do Álbum "Pulsante" de Tom Barão e Samba de Alince da 1ª Playlist de Ida Sonora.
Divulgação: Periódico#Nave e Ateliê 3Marias.
Produção: Cia ID´Artê.




5º Capítulo de Novela de Idas
Da Realidade e do Imaginário de Ridarco

II Parte
Estou no chão, uma montanha se materializa do lado direito. A cabeça e a lança do Centauro estão no chão. Tem gelo em algumas partes da montanha e do chão. Encosto a mão na montanha e sinto calor. Há um vulcão nesta montanha que cospe fogo para o céu. A montanha é de borracha. Cada vez que emburro a montanha de borracha com a palma da mão, chamusca um tiro de fogo que se acumula no céu. Empurro muitas vezes e o fogo ganha espaço no grande azul. No seu pégasus, Solar vai ao encontro da montanha e sobe até a boca do vulcão, saltando na linha do fogo. Se queima, mas não sente se queimar. Ganha energia. Ela vai novamente, e agora, ao entrar em contato com a larva do vulcão se torna gelo e brilha. Milarepa surge e sopra um vento gelado no fogo acumulado no céu. A lua abre a boca. O Diabo com seu cachimbo está na minha frente  ao lado do índio. Os dois baforam ao mesmo tempo, uma fumaça azul e roxa que me envolvem.
O céu tem uma parte de fogo e outra de gelo. O gelo se parte e cai um grande pedaço que seguro com a mão direita. O gelo vira uma escada. Num primeiro momento, seus estrados são balas de fuzil. A escada é um caminho na montanha de atmosfera tenebrosa. Escuridão, gárgulas subindo e escorregando nas paredes da montanha. Um monge tibetano está na minha frente e eu o sigo. Não o vejo mais, vejo a cidade dividida em campos de plantação. Ao longe um desenho metade verde escuro, metade verde claro. E entre o verde escuro e verde claro há um lugar, parece uma casa marrom ou um pedaço de terra desmatado para se construir algo.



Neopardas Cia. D’Artê:
Periódico Nave:


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Ficha Técnica
Diretor-Geral: Javier Morejón



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