quinta-feira, 16 de abril de 2015

NAVE # 4

Este é o Periódico Nave, 
e esta é a Cena Artêsta!
Sejam bem-vindos ao imaginário...





“A pessoa artêsta é aquela que mergulha nas ondas do imaginário. O imaginário é um oceano infinito, dentro de algo eternamente finito – a forma. Pode-se dizer que a artêsta é uma gota, e seu imaginário é o oceano. A gota se derrama no oceano porque esse é o seu anseio essencial. Num oceano infinito existem riquezas infinitas. O trabalho da artêsta é extrair as riquezas e lapidá-las em obras de arte. Assim, a artêsta é um tipo de ponte entre a consciência e o inconsciente.” (A Artêsta e a Escola de Artêstas)



Pós-indústria 


A indústria é a grande referencia da modernidade, pois trouxe transformações sociais que instauraram no ocidente, inicialmente, uma lógica totalmente nova. Essa lógica industrial, porém, assiste sua própria decadência. Vemos sinais de “mudança de era” e alguns estudiosos, como Lyotard se referindo à estética, apostam no termo “pós-modernidade”.

Toda mudança de era vem acompanhada de mudança de paradigma. Um paradigma é um pressuposto filosófico, uma matriz, ou seja, uma teoria que embasa um conjunto de crenças, hábitos e ideologias dominantes em uma determinada época.

Sendo assim, a chamada pós-modernidade seria o estágio em que a sociedade ocidental se encontra atualmente – segundo alguns teóricos desde a queda do muro de Berlim, em 1989 – e que vem substituindo paradigmas modernos por pós-modernos. Um exemplo prático seria dizer que se na modernidade o paradigma industrial é essencial, na pós-modernidade isso tende a mudar para o que chamamos de “pós-indústria”.

E essa “pós-indústria” já existe? Alguém poderia questionar e nós responderíamos afirmando a existência de tendências e muitas realizações nesse sentido. Mas em quê consiste essa “pós-indústria”? Primeiramente, devemos advertir que esse termo/conceito não é oficial, ou seja, não encontramos ainda registro de publicações acadêmicas ou não que tragam esse termo/conceito.

Em 1973, o sociólogo Daniel Bell introduziu o conceito de sociedade “pós-industrial” para se referir ao esgotamento dos paradigmas de racionalização do trabalho que possui base nos princípios tayloristas/fordistas de organização do mesmo.

O conceito de “pós-indústria” para nós diz respeito aos modos de criação/produção que não fazem uso da indústria e de seus elementos essenciais – como a necessidade de espaço físico (o prédio, a fábrica), produção em grande escala, carga horária rígida, etc. – na totalidade de seus processos, como ocorre na modernidade.

Por exemplo: você vê a foto de um quadro na internet e quando na turnê de exposição desse quadro, a pós- indústria não vai produzir uma cópia de obras para cada residência. O mesmo se dá com um periódico, você pode lê-lo na internet ao invés de serem distribuídas cópias em várias bancas. O disco você ouve no soundcloud ou com um DJ colecionador de vinis produzidos de cada lançamento. Ao invés de cada cidadão comprar um vinil para jogar fora daqui três anos.

As pessoas se agrupam para compartilhar serviços para criar produtos. O limite entre esses “serviços” é a necessidade que as pessoas têm de estar com o outro; desde quando nascem e precisam de educação, ensinamentos, logo, ninguém vai buscar, numa sociedade, trabalhar em algo que traga uma situação pior do que se estivesse isolada, sozinha ou num grupo menor.

O sentimento de insatisfação pelo trabalho ocupa a maior parte da sociedade, quando o trabalho deveria ser o que a pessoa faz de melhor e que consequentemente a destaca na sociedade, fazendo com que as demais pessoas desejem aquele serviço que ela tem para oferecer, aquela pessoa que tem a oferecer.

A pós-indústria concebe as ideias como sua matéria prima. A criatividade, podemos afirmar, é a máquina desse sistema que almeja ser cultural. É como se voltássemos nosso olhar para a necessidade e a capacidade elementares do homo sapiens: criar.

Além de desenvolver um menor vínculo a um espaço físico específico e uma necessidade cada vez menor de riquezas industrializadas.

Algumas notícias divulgadas nas mídias revelam um notável crescimento do que está sendo chamado de “economia criativa”, que tem entre seus principais ramos de atuação a cultura, a publicidade e as tecnologias digitais.

Com base nisso afirmamos: não estamos reinventando a roda, mas sim embarcando em uma tendência cósmica (do grego antigoκόσμος, transl. kósmos, "ordem", "organização”,"beleza","harmonia") do ocidente, manifestando tal ordem à nossa maneira, ou seja, à maneira artêsta.

Os grupos, cada qual à sua maneira – com seus bônus e ônus – criarão e produzirão esse novo paradigma que vem sendo anunciado nos últimos, pelo menos, trinta anos.

Enfim, a maneira artêsta de organização grupal para criação e produção auto-sustentável é a Pós-Indústria.


A Cena¹ Artêsta²

A Cena Artêsta é uma cena formada por pessoas que utilizam o Conceito Ida para criar produtos. A Cena Artêsta também é formada pelas pessoas que ajudam a produzir os produtos artêstas, e também as produções de terceiros que, embora não utilizem o Conceito Ida, também podem fazer parte da Cena Artêsta através da Amostra de Artes do Movimento Ida³, na categoria de Obras Afins⁴.


¹ Uma cena é um aglomerado onde estão os produtos de um determinado grupo, e onde este grupo pratica os atos inerentes ao mesmo.


² O Artêsta é aquele que se utiliza de Ida para trazer imagens à realidade.
³ É o acervo das obras feitas - parcial ou completamente- com Ida.
⁴ Obras que não se utilizam de Ida, mas que fazem parte do Movimento Ida, por estarem vinculadas à Cena Artêsta.


Dimensão Contextual

01. A Dimensão Contextual é um método de desenvolvimento e interação entre personagens oriundos do imaginário, num espaço físico.

02. A Dimensão Contextual é um desdobramento da Linguagem Contextual e, como esta, também se utiliza de Idas.

03. Como a cada Ida a história de um personagem aumenta, a cada encontro o contexto sofrerá alterações.

04. Com o intuito de extrair algum sumo do método, um número mínimo de frequência deve ser definido.

05. No espaço físico, a pessoa poderá desenvolver o seu personagem e interagir, desde que não incomode os demais.

06. Os personagens vão compor essa dimensão trazendo imagens do imaginário para a realidade. Para isso, será necessário matéria-prima e espaço físico.


ASSOCIAÇÃO DE ARTÊSTAS


Definição de Artêsta:

Pessoa que se utiliza de Idas* para trazer imagens** para a Realidade***.


*Segundo o Conceito Ida

** Segundo Modelo do Imaginário

*** Segundo Modelo do Imaginário


Estatuto


Por que estamos associados:


- Discutir assuntos da categoria.

- Criar e/ou gerir empreendimentos criados a partir dessas discussões.

- A Associação serve também para representar a categoria.



Ficha Técnica:
Diretor-Geral - Javier Morejón

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